quinta-feira, 14 de junho de 2012

Bar do Amigo Giannotti

Dois jacarés, cascos de tartaruga, panelas, moedores, quadros... Tudo pendurado na parede verde. Bagunçado... Uma mistura de boteco com cantina. Um lugar que tem alma. 

A própria família toma conta do negócio. É fácil estreitar laços e se sentir bem. As netas e o patriarca ficam com o salão, prestanto atendimento, caloroso e simpático, e a cozinha fica a cargo do filho que, além da mão ótima, cuida habilmente do marketing do boteco.     

As ações de marketing do boteco estão sendo feito habilmente, como a participação em eventos como o Comida di Buteco e pequenas reformas. A torcida de seus fãs é que esse trabalho continue bem-feito, pois é comum ver casas tradicionais se descaracterizando e se tornando grandes lixos ao colocar certas prioridades (como o lucro) à frente de outros (como o bom serviço, a sinceridade e a cortesia). Lembram do Léo (Clique AQUI se você já se esqueceu dele...)?

O destaque é mesmo a Fogazza, certamente a melhor de São Paulo. A massa é crocante e sequinha... O recheio, de ótima qualidade, se esparrama pelo prato... E do tamanho da minha fome habitual, ou seja, grande! Genial!




Gosto do recheio de brócolis, peperoni, linguíça e quatro queijos, mas nos últimos dias estou viciado no  novo lançamento da casa, a Fogazza Popeye (Alice, alho, espinafre, queijo e tomate). Normalmente não gosto do modo como as pessoas utilizam salgado e fedorento peixe, mas aqui tudo está bastante suave e equilibrado. Vale conferir.


Todos os meses, no dia 29, a casa aflora sua face "Cantina" e coloca em seu cardápio o tradicional nhoque da sorte. Ainda não provei e estou aguardando a melhor oportunidade. 

Outro ponto alto da casa é seu horário de funcionamento. É uma das poucas opções boas na madrugada.
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BAR DO AMIGO GIANNOTTI
Rua Santo Antônio, 1106 - Bexiga - São Paulo
Prós: Fica aberto até madrugada; comida simples e gostosa; fogazza ótima; serviço atencioso, barato.
Contras: Banheiros ruins; serviço um pouco atrapalhado nos horários de pico.

domingo, 10 de junho de 2012

DISCO DE CHOCOLATE QUE TOCA MÚSICA!

Croata fabrica discos de chocolate apimentado!

Clique AQUI para ler a reportagem completa.

E o clipe da música:



sexta-feira, 8 de junho de 2012

R.A.W. - Rango Around the World (14)

São Paulo, 2009. Restaurante Adi Shosh Deli Shop. Ainda não comi pudim de leite como esse em nenhum lugar do mundo...





quarta-feira, 6 de junho de 2012

Homem e o pão

O Centro Cultural Banco do Brasil recebe a exposição Antony Gormley - Corpos Presentes, até 15 de julho. O escultor britânico é famoso por suas formas humanas. Nesta edição, inclui peças espalhadas em vários prédios do centro de São Paulo. Mas... Como aqui o negócio é rango...

Encontrei a seguinte peça, exposta no CCBB, que tem tudo a ver com isso tudo!!!

A escultura é o preenchimento do espeço com algum material em forma de alguma coisa. Neste trabalho, o artista buscou inverter: o vazio é o que dá forma da imagem e todo o restante é preenchido com pão de forma!!!

Antes que me acusem: Não foi eu quem comeu aquele pão que está faltando ali no canto
Vejam o detalhe:

O pão põe força, e não outra coisa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Prato tenso...

Pedir para alterar o pedido em um restaurante fast-food é tenso. Tenho sempre a impressão que a pessoa que prepara o rango fica tão puto com o cara que pede para tirar o picles de seu lanche que ele vai fazer pregar alguma peça... 

Fui ao Habib´s da Rua José Bonifácio e pedi um Prato Primavera (houmus, coalhada seca, tabule e kibe cru). Como não como coisas cruas em qualquer lugar, pedi para trocá-lo por mais houmus... 


Pois é... Acho que o sujeito que preparou meu rango estava bem-humorado ao fazer dois montinhos de bosta de houmus no meu prato...


Espero que o cara tenha feito só isso, porque comi tudo...

PEDRINHO HOT DOG


 Em um comprido e estreito corredor, na Rua São Bento, entre uma loja de calçados e o Banco do Brasil, se esconde o melhor cachorro-quente do centro de São Paulo.


Viagrete, alface, milho, purê e batata palha. A salsicha não é grande coisa (mas isso é coisa minha: odeio as salsichas vendidas por aqui - Perdigão, Sadia, etc - tudo lixo), mas tem quem goste...  Mas tudo bem, porque você tem a opção de pedir linguiça calabresa ou carne louca. E o melhor: em opção simples ou dupla.

Mas o bom mesmo aqui é o pão. Fui várias vezes em diversos horários e sempre o pão estava misteriosamente crocante e com aquela textura de muito fresco!


Desencane de ir no horário de almoço, pois o local fica terrivelmente insalúbre.

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PEDRINHO HOT DOG
Rua São Bento, 457 - Centro/São Paulo
Prós: Pão ótimo, preço.
Contra: Não tem banheiros, não dá para ir no horário de almoço.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

R.A.W. - Rango Around the World (13)

Buenos Aires, 2007. 
Em um Assado Criollo com amigos, a melhor Morcilla. Suculenta, saborosa, cremosa... Fantástico!




quinta-feira, 31 de maio de 2012

FRANCISCANO

O Franciscano é um boteco na Rua São Francisco, num trecho de vielas íngremes, fugindo um pouco do burburinho do centrão. Muita gente passa batido e nem vê que ali se esconde outra preciosidade da baixa gastronomia paulistana.

Os carros chefe da casa são os PFs na hora do almoço. Todos volumosos e caprichosos.  Alguns deles identificados como "ao molho de queijos", "quattro formaggi" ou "ao franciscano" recebe uma dose cavalar de Catupiry. Tem gente que gosta, mas eu, sinceramente... Não acho muito atrativo.

Catupiry na coxinha, leite condensado no coquetel, azeite trufado nos pratos pseudo-chiques, muito Ajinomoto no rango... Tudo isso fode de alguma forma o rango, deixando as todas coisas com o mesmo gosto... Mas lá vai... Gosto é gosto...


O que vale mesmo aqui é a sardinha cozida, mergulhada em muito azeite e disposta em seu balcão lateral. Vendidas às unidades, peça logo dois peixões como entrada e coma mergulhando nacos de pão no sabroso óleo!


Muitas pessoas chamam essse prato de escabeche, mas tecnicamente não é o correto,  pois por definição, são as carnes e peixes marinados em algum ácido. Tradicionalmente se empanam peixes, frutos do mar ou aves, fritam e só então as deixam em um molho à base de vinagre.

O Larousse Gastronomique define o escabeche assim:

A spicy cold marinade intended for preserving cooked foods and originating in Spain. It is used chiefly for small cooked fish (...). The fish are headed (hence the name, from cabeza, "head"), then fried or lightly browned; they are then marinated for 24 hours in a cooked and spiced marinade. 




Esqueça conforto. Os banheiros não cheiram bem e você tem que pegar a chave no balcão para usá-lo; sempre que fui não tinha sabão para lavar a mão ou algo para secá-lo (o secador de mãos nunca funciona... pelo menos comigo...). A TV fica ligada constantemente e não deve ser um lugar muito amigável de se visitar depois que escurece. Mas quem é que liga? São Francisco está lá para nos proteger.

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O FRANCISCANO
Rua São Francisco, 49 - Centro - São Paulo
Prós:  Ótimas sardinhas cozidas e PFs
Contra: Falta de conforto e banheiros ruins

terça-feira, 29 de maio de 2012

Rangando No Cinema (1): Un Cuento Chino


Neste filme dirigido e escrito por Sebastián Borensztein, Roberto (o Ricardo Darín), um sujeito cheio de manias, acaba por receber o perdido chinês Jun (Ignacio Huang) em sua casa. Mais engraçado que o choque de culturas é a imagem caricata do argentino turrão que ótimo ator traz à vida.


A primeira refeição que Jun faz na casa de Roberto é um prato com Morcilla (chouriço), Chinchulines (intestino bovino) e Criadilla (testículos). Rango fantástico para os iniciados, mas uma bizarridade quando oferecido a um gringo visitando sua casa. Serve para caracterizar bem o tipo que o anfitrião é: duro, pregado em suas raízes, inflexível, quadrado... 


Comé. Comé.
Eso es morcilla. Puro hierro, vaca argentina, nada de vaca loca.
Eso es un invento de los ingleses que se pusieron a joder con la genética.
Ese de ahí… eso es Criadilla. Criadilla. Un manjar.
Acá no lo come nadie. Hígado, comen. Chinchulines, riñón…
Los huevos no; les da impresión.
Manga de boludos.



Em minha última visita a Montevidéu, fui recebido com uma bela Parrillada. O anfitrião, bastante diferente de Roberto mas parecido quanto ao gosto pelos miúdos, fez considerações interessantes sobre a Criadilla. Disse-me que era o melhor a se comer do boi e que se devia assar logo após abater o animal, sem tempero algum. Cada um dos comensais ficava com um copo cheio de salmoura e uma faca. Comia-se após mergulhar as lascas nesse tempero, com a própria mão. Genial, não?

Mais tarde, Mari (Muriel Santa Ana), paixão reprimida de Roberto e que está visitando a cidade, convida-os para jantar. O prato escolhido é o Puchero:

- Bueno, mirá, yo esta noche voy a hacer un puchero… 
y le voy poner de todo, calabacita, papita, garbancito, pollito, caracú…y me encantaría que vengas.

O Puchero é um prato tradicional dos países hispanofalantes. Trata-se de uma panelada, onde carnes, linguiça, presunto, leguminosas e vegetais são cozidos todos juntos. Na América do Sul, é tradicionalmente acompanhada de milho cozido. O do filme está caprichadíssimo, com Caracú (ossobuco)! Dá água na boca só de pensar em sugar o tutano!

E o papo durante o jantar é ótimo: 

- Tendrías que haber hecho fideos.Va a pensar que somos unos cavernícolas.
- No lo mires así Rosa, lo vas a inhibir.
- Se ve que le gusta, ¿eh?
- ¿Y cómo no le va a gustar?
- Son millones y millones comen lo que hay, no preguntan como vos.
- Son sabios. Comen escorpiones, serpientes, hormigas.
- Estás seguro que no entiende


É isso. Até a próxima sessão!

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UN CUENTO CHINO (Um conto Chinês)
Escrito e dirigido por Sebastián Borensztein
Com Ricardo Darin, Ignacio Huang, Muriel Santa Ana.
Argentina, 2011.

sábado, 26 de maio de 2012

Addio, Matterello!

A cantina Matterello encerrará suas atividades em 31 de maio, depois de quase 20 anos em favor da ótima cozinha italiana e da enofilia. 

É certo que não era uma casa perfeita mas estava bastante acima da qualidade média das cantinas de São Paulo: as massas eram preparadas diariamente; os queijos se mostravam de ótima qualidade; o fogão e o forno à lenha davam sabor bastante especial aos pratos; e promovia ótimas (e gratuitas) degustações de vinhos!

Em minha última visita à casa, minha colega fez questão de levar o cardápio, um calhamaço que trazia todas as  receitas e suas fontes. Sinceridade. A casa fazia transparecê-la.



Vários de meus conhecidos começaram a trilhar o caminho no reino de Baco através dessas degustações que, por serem gratuitas, permitiam a todos aprender e ter ótimas experiências. 




Vai deixar saudade e certamente é uma grande perda para a gastronomia paulistana.

Addio, Matterello!

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Matterello - O Pau de Macarrão
Rua Fidalga, 120 - Vila Madalena
- FUNCIONARÁ ATÉ 31/05/2012 -